Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2005

LEVANTA-TE E RI

O Alfinete de Peito devido à crise económica instalada decidiu investir numa nova área de negócio, uma Agência de Viagens. Neste caso para o além, ou seja, uma funerária. A “Vai com Deus” têm-se revelado um autêntico sucesso de mortes.

O nosso foco está inteiramente no cliente, o morto. Como tal, somos sobejamente reconhecidos como uma agência do outro mundo. Caracterizamo-nos por fazer um acompanhamento completo, antes e post-mortem, razão pela qual tantas famílias recorrem aos nossos serviços.

A evangelização do conceito da empresa passa por apresentar a título de exemplo, e a todas as famílias, o relatório completo do nosso primeiro cliente - Feliciano Macleod, a quem carinhosamente apelidamos de “O Senhor”.

Feliciano recorreu aos nossos serviços, por saber que temos a opção “Frequent Dyier”, onde o indivíduo acumula milhas por cada vez que morre. Para nós o cliente é um amigo que adoramos apunhalar pelas costas, por razões óbvias.

Mas os nossos serviços não se ficam por aqui, nós queremos ir sempre mais “além”. Por exemplo, revolucionámos o livro de condolências. Achámos que este deve servir não para os familiares folhearem aquando de uma noite de insónias, mas sim na sala de espera “Lá em Cima” enquanto aguardam a Re-Sushi-Ta-São.

Temos o cartão “Mais Além” onde oferecemos descontos a quem trouxer um amigo. Sempre com o foco no cliente temos também o cartão “Para Além”, onde permitimos ao morto que escolha a direcção a tomar, para o Céu ou para o Inferno.

Mas o que está na berra, é um serviço que apresentámos em primeira mão no Salão “Deste e Daquele Mundo”, uma plataforma de Fotoblog onde o morto pode ir actualizando as imagens da sua decomposição e lendo os comments daqueles que sempre o desejaram ver na cova.


Legenda: O nosso serviço “Sempre Além” onde pode contactar
com o morto por SMS, MMS ou por e-mail.

Eis o relatório de Feliciano, que tão saudosamente apelidamos de…

P.M.T.R. (Para Mais Tarde Recordar)

Feliciano faleceu pela quinta vez aos 45 anos de idade e desta vez morreu a rir. Pai de sete crianças registadas, dois na sua primeira vida, um na segunda e terceira, e três na sua última existência. Na sua quarta vida foi Padre e não pôde registar o filho. Os quatro primeiros já faleceram de velhice, infelizmente não foram nossos clientes (LOL).

O clã Macleod optou após umas Pint’s, que queria um funeral “Buffet”, onde mantemos o caixão em água quente para que o dito cujo não arrefeça.

ANTES DE FALECER - Registo dos Comentários dos familiares e amigos:

Octávio Macleod (Irmão) – “O meu irmão não passa de um reles chuleco, sempre que precisa de dinheiro sabe vir falar comigo, e eu feito parvo ia na conversa dele. Mas quando me apercebi que ele era um f.d.p. de um caloteiro, mandei-o passear!”

Felismina Macleod (Tia) – “Ele tem a mania que é bom, mas não passa de um palhaço. Goza com tudo e com todos, não poupa nada nem ninguém.”

Ronald MacDonald (Amigo) – “O cabrão come-me os hamburgers todos pela calada.”

Al Berto Macleod (Primo) – “Mete-se nos copos e vai às putas! Quando chega a casa, não satisfeito, passa a noite a arrear na mulher até ficar cansado e adormecer. É um pulha do piorio.”

POST MORTEM - Registo dos Comentários dos familiares e amigos:

Octávio Macleod (Irmão) – “Era o melhor irmão do mundo, como ele não hà igual. Sempre viveu com grandes dificuldades económicas, mas tirava do seu para ajudar o próximo. Um exemplo a seguir.”

Felismina Macleod (Tia) – “Ainda estou em estado de choque, não acredito que morreu o meu sobrinho favorito. Era um doce de pessoa. De todas as pessoas que conheço não há ninguém que lhe chegue às solas dos pés. ”

Ronald MacDonald (Amigo) – “Só de pensar que fui eu quem lhe serviu o último Big Mac vêm-me as lágrimas aos olhos, o que não dá muito jeito porque borra-me a pintura.”

Al Berto Macleod (Primo) – “Se havia pessoas boas neste mundo era o Feliciano. Sempre zelou pelo bem-estar e os interesse da família. Era incapaz de fazer mal a uma mosca, o pobre rapaz.”

Haley Joel Osment (Actor do “Sexto Sentido”) – “I see dead people, walking around like regular people.”

VOLTE SEMPRE

Pensamento do Dia: Provavelmente não estão habituados a que sejamos mórbidos. Aproveitámos, a partir de uma conversa entre nós devido ao falecimento de um familiar, abordar o facto de enquanto uma pessoa é viva os outros têm tendência para focar o que estes fazem de mal, após a sua morte parece que o que vem ao de cima são apenas aspectos bons, muitas vezes inexistentes. O ser humano é um pau de dois bicos.

Temos dito.
Ass: Grizo, Mercador e Tobias.
pregado por Alfinete de Peito às 01:04

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19 comentários:
De gato_escaldado a 2 de Dezembro de 2005 às 12:19
tens lugares lugares abertos para "carpideira"? são fundamentais. não há funeral sem uns gritos estéricos e uma lagrimazita a escorrer. em nome da boa vizinhança posso colocar anuncio na paisagem... rss.

verve de causar inveja. abraços
De Ana a 2 de Dezembro de 2005 às 16:28
que grandes histórias...


jokas
De Ana a 2 de Dezembro de 2005 às 18:02
Só para desejar bom fim-de-semana...
*muah*
De maresia a 2 de Dezembro de 2005 às 21:00
homem! isto não é ser mórbido, é ser hábil a jogar com a morte! gosto gosto gosto gosto. eu até gosto de funerais, dão-me vontade de rir...
De Estrela do mar a 2 de Dezembro de 2005 às 21:29
...tenho andado com pouco tempo livre, pois nos dias 10 e 11 vou ter uma exposição de pintura com a escola onde estou a aprender...mas aos poucos tudo há-de voltar ao normal e virei cá com mais calma;)...


Beijinhos e tenham um bfs
De Su a 3 de Dezembro de 2005 às 00:23
gostei de ler

o pior mesmo é que enquanto vivos, muitos não prestam e depois de mortos, desciobrem que afinal eram santos....
hipocrisia
quem é mau é mau em vida e depois de morto, qual é?

de qq modo gostei dos vossos novos serviços, altamente avançados em termos tecnológicos: contactar o morto por SMA, MMS, E.MAIL...
deduzo que o morto leve o material necessário aquando da sua deslocação::)) para o além:)))

jocas maradas de mórbidas
De Squeezy a 3 de Dezembro de 2005 às 19:19
já pra não falar na quantidade de vezes em k uma pessoa só é reconhecida dp de ter falecido...
De Thiago a 3 de Dezembro de 2005 às 20:42
Morrer 5 vezes?

Preferia ser terrorista em Londres, pelo menos morria depressa! :D
De Uxka a 3 de Dezembro de 2005 às 20:54
Está genial mas a parte que eu gostei mesmo foi do fotoblog... mas que ideia mais pqp!
A parte "séria" da questão já vocês focaram, tá tudo dito.
De TMara a 4 de Dezembro de 2005 às 08:05
mas olhem lá, quem é k vos meteu nas cabecinhas (por acaso são de alfinetes? Eu digo: NÃO!)k falar sobre a amorte é mórbido? Ná! E para + desta forma. Poderei ficar cliente, se explicarem melhor essa parte da comunicação post-morte...A parte, infelizmente séria e rridícula ainda n/ esgotou. Ainda vos resta o cemitério; limpeza e decoração das campas enqnt pelo canto do olho vão comparando, criticando, competindo e....dizendo mal. De morto e vivos. É um pitéu. Bjocas e bom domingo.

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